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Na casa em que vivi
havia sempre aberta uma janela
por onde entravam mornas brisas
em dias ensolarados
e ventanias que espalhavam pelo chão
papéis e folhas trazidas do jardim.

Eu sempre recebi o vento com alegria.

Com ele chegavam os cheiros
de rua, de chuva, de flor
que alteravam o aroma da casa
enquanto balançavam-se cortinas
e assoviavam-se canções
que sempre parei para escutar.

Na casa onde hoje moro,
fecha-se a porta ao vento.
E minha alma vive
mergulhada em solidão.