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Quero enlouquecer serenamente
como uma avó que tive
sem animais ferozes
espíritos ruins
ou lembranças doídas
a me assombrar.

Quero que me prometam
que assim acontecerá
o momento em que me faltar a Razão
e seguirei desligada da vida
mas viva a continuar
numa loucura alegre
que me permita um novo caminho construir
a ilusão de uma nova idade,
um novo amor,
talvez uma nova casa
que, por compaixão,
ninguém me ousaria tomar

Mas ainda me agarro com força
ao Juízo
que equaciona meu mundo
e me defende da dor
(embora também a abrigue
num paradoxo que não sei explicar)

sim, a ele me agarro,
enquanto a promessa da serenidade não vem
e sei que mergulhar na dor
sem perder a razão
é abrir ferida quase mortal
é submeter ao abandono aqueles que amo
a começar por mim.