uma outra vida

Talvez noutra vida possa te encontrar e atravessar-te os cabelos com minhas mãos frias, os lábios colados aos teus, o vento atravessando meu vestido – um clichê de novela ainda assim, um bom clichê. Talvez me recebas num altar de sonhos para onde caminharei descalça sobre a areia, flores trançadas nos cabelos, música do Chico […]

se

E se eu o interrompesse agora me esquivando do seu carinho? “Não quero, não é hora, não estou a fim…” E se isso lhe servisse como justificativa para ir embora e eu sequer sofresse? Mais me aliviasse a despedida do que o amor que me oferece? E se apenas vivemos na mesma rotina, no mesmo […]

no dia seguinte (conto 2)

Sentia o cansaço da noite mal dormida somar-se ao calor acentuado pelo paletó com que cobrira o corpo ressentido. Doía-lhe o pescoço. A dor se ramificava à coluna, emprestando ao corpo uma sensação de surra que lhe tolhia os movimentos e obrigava-o a submeter-se a um ritmo que não era capaz de alterar. Difícil caminhar […]

à hora do jantar (conto 1)

Ele a beijara de surpresa e, por isso, não lhe dera tempo de lavar as mãos sujas de tomate. Emprestou-lhe seu cheiro fresco, a pele ainda úmida e quente do banho, mas retribuíra-lhe o carinho com a boca distraída, preocupando-se demais com as mãos sujas e com a nódoa que não saberia tirar da camisa […]

na praia

Encontraram-se na praia. Após mergulhar no mar, a água lhe escorria pelo corpo moreno e pelos cabelos encaracolados. Passou as mãos no rosto, os dedos pelos cachos e sorriu, desviando da criança que a onda derrubou e trouxe em sua direção. Para ela, que o assistia da areia, seus movimentos eram únicos. O homem se […]

City Tour

Quando parou de lutar contra o interesse do amigo e aceitou fazer o passeio de ônibus, notou que dali poderia tirar algum proveito também. Pensava que nada substituiria a caminhada até o local, o reconhecimento das ruas, a observação dos rostos das pessoas que circulavam pela cidade. Mas estava enganado. Deitando a cabeça no banco […]

fragmento

Como se parte de mim quebrasse, retraí-me de dor e medo, recolhi sob vestes meu corpo, caminhei sobre cacos imaginários. Como se me tirassem algo, tentei agarrar-me ao objeto imaginário com força e desespero. Mas tudo estava quieto, sempre quieto. – vê como a casa ficou vazia? – não havia outra presença nem outra voz, […]