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Como se parte de mim
quebrasse,
retraí-me de dor e medo,
recolhi sob vestes
meu corpo,
caminhei sobre cacos imaginários.

Como se me tirassem algo,
tentei agarrar-me ao objeto imaginário
com força
e desespero.

Mas tudo estava quieto,
sempre quieto.
– vê como a casa ficou vazia? –
não havia outra presença
nem outra voz,
nenhum objeto na sala
em que me tranquei.

Não havia sequer pensamentos
– todos calados na mente
amedrontada –
nem sentimentos havia
quando eu mesma estive vazia.

Tu me acenaste a saída
– era dia, havia luz –
e supus a alegria na paisagem
banhada de sol.
Mas censurei o passo
na direção da porta aberta.

Era dia
mas em minh’alma anoitecera
no momento em que me soltaste a mão.