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E se eu o interrompesse agora
me esquivando do seu carinho?

“Não quero,
não é hora,
não estou a fim…”

E se isso lhe servisse como justificativa
para ir embora
e eu sequer sofresse?
Mais me aliviasse a despedida
do que o amor que me oferece?

E se apenas vivemos na mesma rotina,
no mesmo passo,
sem destino
nem atenção ao percurso?

E se eu já não for
a que esperava por seu carinho com sofreguidão,
a quem aprazia o toque íntimo
e a ilusão da paixão?

E se, em mim, algo houver quebrado?
meu corpo, túmulo de sensações
minha mente, congeladas idéias?

E, mais inesperado ainda,
se eu estiver viva e inteira
acesa e libidinosa
pulsante e crítica,
se meu corpo ainda desejar abrir-se
em pernas e segredos
minha alma, à comunhão
minha mente, à transgressão
e, ainda assim, não o quiser mais
e interrompê-lo agora?