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Em dias como este,
bom estar na sala
cujo lacre o mundo não pode violar
(sou eu quem abre as frestas
embora você me tente guiar).

Me abrigo,
você sorri,
como se tudo fosse bobagem,
como se fossem cicatrizes
as feridas que ainda exponho.

Vontade de rir também…
e de acompanhá-lo
na sua quase viagem a Paris
onde juntos riríamos
dos maus-tratos do garçom
por não falarmos francês,
nos esquivaríamos do vento
na entrada do metrô,
terminaríamos as tardes
num café
em silêncio –
personagens das fotografias
em preto e branco na minha mente –
flores coloridas sobre a mesa,
ondas do Arpoador nos olhos.

Próximos,
nos abraçamos
antes que se descerre a porta,
antes que lhe pergunte
quem são as pessoas no porta-retratos.

Me calo.

A rua escura
piso com medo.
Paris me escapa.
Volto
sem sonhos.