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Caminho por tua rua
imaginando
em que varanda expões a rede
em que sonhei amar-te.

Caminho sozinha.
Olhos voltados para o alto,
incomoda-me o sol.
Ainda assim, busco-te
debruçado numa janela
e vigio as saídas das garagens
que podem ser tuas.

Cansada, caminho.
No coração, neutralizados os impulsos de vida.
No corpo, repousados os desejos da carne.
Se em tua casa não encontrar abrigo
nada amornará o peito adormecido.

Sei que caminho em vão.
Sentarei diante de ti
calada
como se a procura não fora intensa.
Cuidarei das palavras que pronuncio
antes que se revele minha alma.
Ainda que haja fagulhas em teus olhos.
Ainda que os meus se acendam.