mexendo no baú III

COLO Se eu pudesse contar-te essa saudade e pudesse abraçar-me a tua paz Chamando-te, então, amigo, para junto de mim, se pudesse encontrar-te sozinho e deitar em meu colo teu conflito, acariciando levemente teus cabelos, e se pudesses compreender que o amor que guardo em mim é tão superior que a mim mesma espanta, então […]

mexendo no baú II

À DISTÂNCIA Por não saberes que me perdes quando me olhas superior, escolhendo as falas que mais exaltem tua sabedoria e que nada além do teu sorriso admiro e nada além de teu olhar me excita e que tudo destrói tua presunção É que, por não saberes o quanto perdes, deixando que te escape o […]

mexendo no baú I

BORBOLETA Não invejo o avião, que voa muito acima das nuvens, quase encostado no céu. Nem a graça natural do pássaro invejo, rasante e sonoro entre as copas das árvores. Mas sim a borboleta que passa e em toda sua pequenez voa baixo, muito baixo para, entre beijos, alimentar-se de uma flor. (escrito aos 16 […]

Busca

Caminho por tua rua imaginando em que varanda expões a rede em que sonhei amar-te. Caminho sozinha. Olhos voltados para o alto, incomoda-me o sol. Ainda assim, busco-te debruçado numa janela e vigio as saídas das garagens que podem ser tuas. Cansada, caminho. No coração, neutralizados os impulsos de vida. No corpo, repousados os desejos […]

dos versos que escrevo

Escrevo-te versos impróprios que, à sombra, trazem a libidinosa vontade de amar-te sem culpa por saber que sofrerá quem neles reconhecer uma história. Os versos que te escrevo me sobram nos pensamentos, nas noites sem alimento nem luz, em que a insanidade ronda o catre frio e estéril em que me deito só. Mas são […]

Ausência

Sinto saudades, tantas que me ferem o espírito. Abandonada à própria voz, minha mente reclama o carinho fresco de tuas palavras, perde-se em pensamentos que põem em chave minha sanidade. Meu corpo se ressente de ti… A pele fria onde não pousam teus carinhos… Em meu ouvido, ressoa agudamente o silêncio a que me condenaste […]

Apagão

Em dias como este, bom estar na sala cujo lacre o mundo não pode violar (sou eu quem abre as frestas embora você me tente guiar). Me abrigo, você sorri, como se tudo fosse bobagem, como se fossem cicatrizes as feridas que ainda exponho. Vontade de rir também… e de acompanhá-lo na sua quase viagem […]