Busca

Caminho por tua rua imaginando em que varanda expões a rede em que sonhei amar-te. Caminho sozinha. Olhos voltados para o alto, incomoda-me o sol. Ainda assim, busco-te debruçado numa janela e vigio as saídas das garagens que podem ser tuas. Cansada, caminho. No coração, neutralizados os impulsos de vida. No corpo, repousados os desejos […]

dos versos que escrevo

Escrevo-te versos impróprios que, à sombra, trazem a libidinosa vontade de amar-te sem culpa por saber que sofrerá quem neles reconhecer uma história. Os versos que te escrevo me sobram nos pensamentos, nas noites sem alimento nem luz, em que a insanidade ronda o catre frio e estéril em que me deito só. Mas são […]

Ausência

Sinto saudades, tantas que me ferem o espírito. Abandonada à própria voz, minha mente reclama o carinho fresco de tuas palavras, perde-se em pensamentos que põem em chave minha sanidade. Meu corpo se ressente de ti… A pele fria onde não pousam teus carinhos… Em meu ouvido, ressoa agudamente o silêncio a que me condenaste […]

Apagão

Em dias como este, bom estar na sala cujo lacre o mundo não pode violar (sou eu quem abre as frestas embora você me tente guiar). Me abrigo, você sorri, como se tudo fosse bobagem, como se fossem cicatrizes as feridas que ainda exponho. Vontade de rir também… e de acompanhá-lo na sua quase viagem […]

uma outra vida

Talvez noutra vida possa te encontrar e atravessar-te os cabelos com minhas mãos frias, os lábios colados aos teus, o vento atravessando meu vestido – um clichê de novela ainda assim, um bom clichê. Talvez me recebas num altar de sonhos para onde caminharei descalça sobre a areia, flores trançadas nos cabelos, música do Chico […]

se

E se eu o interrompesse agora me esquivando do seu carinho? “Não quero, não é hora, não estou a fim…” E se isso lhe servisse como justificativa para ir embora e eu sequer sofresse? Mais me aliviasse a despedida do que o amor que me oferece? E se apenas vivemos na mesma rotina, no mesmo […]

fragmento

Como se parte de mim quebrasse, retraí-me de dor e medo, recolhi sob vestes meu corpo, caminhei sobre cacos imaginários. Como se me tirassem algo, tentei agarrar-me ao objeto imaginário com força e desespero. Mas tudo estava quieto, sempre quieto. – vê como a casa ficou vazia? – não havia outra presença nem outra voz, […]

o vento

Na casa em que vivi havia sempre aberta uma janela por onde entravam mornas brisas em dias ensolarados e ventanias que espalhavam pelo chão papéis e folhas trazidas do jardim. Eu sempre recebi o vento com alegria. Com ele chegavam os cheiros de rua, de chuva, de flor que alteravam o aroma da casa enquanto […]

quero enlouquecer serenamente

Quero enlouquecer serenamente como uma avó que tive sem animais ferozes espíritos ruins ou lembranças doídas a me assombrar. Quero que me prometam que assim acontecerá o momento em que me faltar a Razão e seguirei desligada da vida mas viva a continuar numa loucura alegre que me permita um novo caminho construir a ilusão […]

em meu caminho

Desenho flores em meu caminho onde encontro pedras e cal e um sorriso no canto da folha, onde a lágrima caiu. Insisto em não enxergar as sombras… elas se debruçam sobre mim, plantam a angústia que ora cala, apenas, ora sufoca, que ignoro. Desenho sem parar palavras com rimas fáceis, rostos de simples grafismo, esquivo-me […]