o altar

Terminado o cortejo, correram até a porta da igreja, fugidos da chuva forte que encharcara-lhes as roupas. Refugiaram-se no hall da nave. Contrariada por ter que desviar-se do caminho de casa, onde encontraria a pausa necessária após o exaustivo dia de pêsames, Elisa se separou do grupo formado pelos que se abrigaram ali. Caminhou em […]

partindo

Não foi o jeito como chegara, jogando no chão da área a bolsa da academia.  Nem o silêncio contínuo enquanto ela lhe contava os problemas do condomínio, já debatidos, já resolvidos nem bem a noite começara.  Não lhe notara a impaciência por estarem guardadas no fundo do armário as roupas que ele vestiria após o […]

passageiro

O mundo ficará quando eu partir.   Para onde vou não sei se me lembrarei do que vivi naquele parque, aqui.   Para onde vou talvez nem leve registros – se tudo acaba, se vai o que sinto, não sei.   Sobra apenas incontestável verdade: o mundo permanecerá.   Mudança após mudança, se reinventará.   […]

quando já não é mais hora

De nada adiantou sentar-se diante dela, diminuindo lugares no sofá da sala pouco iluminada pelo abajur antigo.  Nem incumbí-la da fácil tarefa de arranjar-lhe um pano de chão para apagar as pegadas molhadas, originadas na chuva que caía na rua.  Frustrava-se a tentativa de reeditar a intimidade que há pouco ainda tinham, enxugando os pés, […]

mortalidade

Passa. Tudo. Amor. Saúde. Alegria. Dor. Sabemos: passa. Ciclos se fecham. Pessoas se vão. Idéias morrem. Até lugares, paisagens, mudam. Por que, então, chorar a perda, se inevitável é mudança? Por que ausência traz tristeza, vazio, desamparo? Os que amamos, mesmo sem profundidade, quando partem, nos reduzem, nos recordam a mortalidade e nos quebram corações.