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Estranho teu silêncio.

 

Tua voz dialogava

com as imperfeições da minha alma,

meus pensamentos ruminantes

e  fracas aspirações

 

–  era uma ponte

para um lugar

que era bom ocupar.

 

Acariciavas-me,

mais,

quando tocavas o espírito

desgarrado de mim

 

– desamparar-me o espírito

foi teu gesto pior!

 

Passo a limpo o que disseste,

procuro sentidos

no que me entristece.

 

E renovo gestos sutis,

os que fingíamos,

os verdadeiros,

que comungavam

mentes

solidão,

amizade.

 

Por que me lanças,

desprotegida, ao mundo,

no momento em que meu coração

acostumara-se a apoiar-se no teu?

 

Sei que assusta

ver-te espelhado

na dor que carrego.

 

Mas sobreviva ao assombro:

quando paream-se nossas almas,

calorosamente anuncia-se

o fim da nossa solidão.